Titanic


Em 1997, James Cameron emocionou o mundo com a história de amor entre um menino pobre e uma menina rica. Tal história não só se tornou uma entre tantas outras porque a trajetória de amor entre Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) aconteceu a bordo do Titanic, transatlântico de luxo construído em 1912 e símbolo de uma época, no entanto sua viagem inaugural foi trágica com o naufrágio do navio no dia 15 de abril de 1912.

Cem anos depois, o Titanic volta aos noticiários, seja pelas homenagens aos mortos da tragédia, seja pelo relançamento do filme de James Cameron agora convertido para 3D ou seja pelas tragédias marítimas que ainda acontecem e assustam como o naufrágio do cruzeiro “Costa Concórdia”, em janeiro deste ano.


O filme Titanic, de James Cameron, a produção hollywoodiana mais cara para a época – o filme custou mais de US$ 200 milhões – tornou-se também o filme mais rentável em 1997 – Titanic arrecadou mais de um bilhão de dólares apenas em bilheterias. Mas quais os elementos que fizeram Titanic um dos maios sucessos da história do cinema?

Evidentemente, além da história de amor entre os protagonistas o próprio fato histórico foi uma grande chamariz da produção. Uma história que até já parecia esquecida, James Cameron a resgata e mostra nas telas de forma visceral a tragédia marítima mais marcante da história. Com o auxilio dos efeitos especiais mais avançados para época, o diretor nos coloca na fatídica noite em que o Titanic foi engolido pelas águas do atlântico norte.

Para criar tal sensação, a direção de arte do filme fez um trabalho excepcional. Recriou em detalhes cômodos do navio, seja os pavimentos da 1ª classe, 2ª classe ou 3ª classe. Móveis, louças e os figurinos foram preparados com esmero. James Cameron mandou construir uma réplica do navio que era apenas 10% menor que o navio original.

Mas não podemos esquecer o contexto histórico em que o navio foi feito. O Titanic foi um elemento físico das inovações provocadas pela Revolução Industrial, pois o navio nada mais era do que o maior objeto móvel – a vapor – construído pelo homem. O início do século XX foi marcado pelo entusiasmo dos progressos científicos e o Titanic é um dos grandes símbolos desta era. Sua opulência e grandeza também representam o espírito engrandecedor motivado pelos pensamentos científicos e ideológicos europeus.

“O Navio dos Sonhos” como também foi conhecido, reunia em sua arquitetura o gosto da época: o estilo clássico e pequenas amostras de todos os estilos dos séculos XVII e XVIII. O navio possuía um salão de refeições para 550 pessoas e um “Café Parisiense”. O Titanic era um hotel de luxo, mas esse luxo só era possível para quem podia pagar.

A composição do navio revelava também a própria organização social da época. Entre os passageiros da primeira classe encontravam-se os homens mais ricos e influentes como o Coronel Astor, um dos homens mais ricos da época; Benjamim Guggenheim, “o rei do cobre”; o major But, secretário pessoal do presidente dos Estados Unidos e o próprio presidente da White Star Line (companhia marítima do Titanic), Bruce Ismay. Os membros da primeira classe eram formados por pessoas que ostentavam suas origens aristocráticas pronunciando seus títulos de condes e duques. O Titanic também contava com deques reservados aos passageiros da segunda e terceira classe, mas não imaginemos que tais cômodos eram infinitamente inferiores aos deques da primeira classe. As instalações da terceira classe, por exemplo, eram os mais agradáveis e bastante diferentes dos navios do século XIX.

Numa sociedade marcada por uma intensa divisão social, o Titanic possuía mecanismos físicos que evidenciavam tal distinção. As portas que separavam a terceira classe dos pavimentos superiores mantinham-se trancadas e assim também permaneceram durante o naufrágio. O que, em parte, explica os seguintes números de sobreviventes: 62% da primeira classe (203 de 325), 41% da segunda classe (118 de 285) e 25% da terceira classe (178 de 706). A discriminação social também não foi responsável pela grandeza da tragédia?

Após cem anos, o naufrágio do Titanic ainda lança mais perguntas do que respostas. Afinal de contas, o navio foi feito para ser insubmersível, no entanto, por que afundou? Que estrago o iceberg provocou no casco do Titanic? O naufrágio foi motivado pelo choque com o enorme bloco de gelo ou pelo mau funcionamento das comportas estanques?

Após o naufrágio do Titanic, a lei relativa dos botes de salvamento foi atualizada e simulações tornaram-se obrigatórias. As tripulações de navios passariam a ter treinamento mais intensivo em casos de crises e os navios ganharam profundos cascos duplos. Mas toda a melhoria técnica e profissional não diminuiu o risco de novos acidentes e entre 1912 e 2012, a navegação marítima ainda foi marcada por outras tragédias.

Lembrando o centenário da tragédia, o blog Cinema & História criou uma página no facebook que irá lembrar em tempo real os principais acontecimentos que marcaram a viagem inaugural do transatlântico. Clicando em Titanic – Linha do Tempo você poderá ampliar seus conhecimentos sobre o Titanic desde a sua concepção, passando pela construção nos estaleiros irlandeses, até a sua partida e o trágico naufrágio. Além disso, a página disponibilizará fotos da época e dados sobre o navio.

Título Original: Titanic.
Origem: Estados Unidos, 1997.
Direção: James Cameron.
Roteiro: James Cameron.
Produção: James Cameron e John Landau.
Fotografia: Russell Carpenter.
Edição: Conrad Buff IV, James Cameron e Richard A. Harris.
Música: James Horner.

FONTE: MENDEZ, Olivier. A Viagem Inaugural. Dossiê Titanic. Revista História Viva, nº 101, Março de 2012, p. 28-29.
ROGER, Paul. Era Para Ser O Cruzeiro dos Sonhos. Dossiê Titanic. Revista História Viva, nº 101, Março de 2012, p. 30-31.
JAEGER, Gérard A. As Verdadeira Causas da Catástofre. Dossiê Titanic. Revista História Viva, nº 101, Março de 2012, p.38-43.

Comentários